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  • Dra. Cláudia Klein

A relação entre a música e a neurologia

Seja gritando em uma balada ou batendo o pé no samba, a resposta humana à música parece quase instintiva. No entanto, há uma explicação neurológica para a reação a diferentes sons.


Estruturas cerebrais e musicais


A música ativa muitas partes do cérebro, como:

  • O lobo temporal, incluindo giros temporais específicos que ajudam a processar o tom e a altura;

  • O cerebelo, que ajuda a processar e regular o ritmo, o tempo e o movimento físico;

  • A amígdala e o hipocampo, que desempenham um papel nas emoções e nas memórias;

Várias partes do sistema de recompensa do cérebro.


As áreas cerebrais trabalham em conjunto para integrar as camadas de som no espaço e no tempo para que possamos perceber uma série de sons como uma composição musical.


Evolução musical e sua forma de comunicação


Uma característica universal é a nossa capacidade de responder à música e dançar ao ritmo do tempo.


Nossos ancestrais, com linguagem muito limitada, mas com expressão emocional, começaram a gesticular sentimentos. O significado da música veio a nós antes do significado das palavras. Acredita-se que a nossa linguagem de hoje surgiu por meio de uma linguagem pelo gesto e pela musicalidade.


Mais tarde, Platão considerava que a música tocada de diferentes modos despertaria emoções diferentes e, em geral, a maioria de nós concordaria sobre o significado emocional de qualquer peça musical em particular, seja alegre ou triste; por exemplo, acordes maiores são considerados alegres e os menores, tristes. O andamento ou movimento no tempo faz com que músicas mais lentas pareçam menos alegres do que ritmos mais rápidos.


Atualmente, o ouvinte comum pode achar que não há uma relação necessária da emoção com a forma e o conteúdo da música. Porém, isso se contradiz às técnicas da neurociência.


Distúrbios neurológicos e musicoterapia


A música ajuda na redução de efeitos colaterais de alguns distúrbios neurológicos e alguns ritmos musicais colaboram para pessoas com doença de Parkinson e estimulam os circuitos cerebrais que os fazem se mover fisicamente.


Da mesma forma, a música ajuda as pessoas com perda de memória de curto prazo devido ao Alzheimer, que facilita a partir de canções familiares como “Feliz Aniversário”, porque essa memória é de longo prazo no cérebro.


Desse modo, a terapia traz lembranças do passado e estabelece contato com a memória do idoso que sofre os sintomas do Alzheimer. Portanto, os pacientes que passam por esse tipo de tratamento lembram de acontecimentos e histórias da vida pessoal e familiar.


Além disso, as aplicações da musicoterapia em pacientes com transtornos neuropsiquiátricos, tais como depressão, dislexia e transtorno do espectro do autismo, ajudam nos sintomas. A música pode diminuir a frequência das crises para a depressão, interromper o estado de epilepsia em pessoas com autismo e ajudar na captação de estímulos auditivos e ritmo com pessoas disléxicas.

Esses dados sugerem que os efeitos da musicoterapia em pacientes com transtornos neuropsiquiátricos devem ser explorados mais detalhadamente.


Conclusão


Houve um crescente aumento no uso da intervenção musical em terapias e consultórios clínicos com canto, audição musical, improvisação e outras atividades musicais. Dado que a música engloba uma variedade de áreas cerebrais envolvidas na emoção, motivação, cognição e funções motoras, as intervenções musicais têm sido usadas para aumentar a socialização e o funcionamento cognitivo, emocional e neuromotor, além de auxiliar nos variados distúrbios neurológicos.


Fontes:


file:///C:/Users/Usuario/Downloads/974-53-PB.pdf

http://neuroeduc.espe.univ-tlse2.fr/Docs/neuromusic2009.pdf

https://corasenior.com.br/conheca-o-poder-da-musica-para-idosos-com-alzheimer/

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