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  • Dra. Cláudia Klein

As alterações no corpo causadas pelo álcool

O consumo frequente de bebida alcoólica pode levar a situações de abuso químico. Quando os sintomas do uso do álcool começam a demorar para aparecer ou ficam amenizados significa que o organismo está se acostumando à substância, ou seja, quando achamos que estamos ficando mais fortes e tolerantes para a bebida, já nos adaptamos a ela e isso pode causar dependência.


Além da preocupação com a dependência, temos ainda os danos que o uso frequente de álcool causa aos órgãos internos. Os mais vulneráveis são:


  • Cérebro – o álcool afeta o Sistema Nervoso Central e pode causar perda de reflexo, problemas de atenção, perda de memória, sonolência e coma, que pode levar à morte;

  • Coração – o álcool libera adrenalina, que acelera a atividade do sangue no coração, aumentando a frequência dos batimentos cardíacos, podendo causar arritmia e taquicardia;

  • Fígado – a bebida altera a produção de enzimas, mudando o ritmo do metabolismo do álcool consumido, ocasionando inflamação crônica, hepatite alcoólica e cirrose;

  • Estômago – as mucosas do estômago e esôfago ficam irritadas com o álcool, ocasionando esofagite, gastrite e diarreia;

  • Rins – o efeito diurético do álcool acaba por sobrecarregar os rins, comprometendo a eficácia do processo de filtragem das substâncias que ocorre nesse órgão.


De que maneira o álcool danifica o fígado?


Alguns fatores de risco e mecanismos implicados no desenvolvimento de lesão hepática são:


Fatores genéticos


O tecido cicatricial formado no fígado cirrótico é composto por proteína de colágeno. Sugere-se que a estimulação para a síntese do colágeno ocorra pela ativação do gene do colágeno, gerando a hipótese de que diferenças individuais para este gene podem estar associadas com diferenças no desenvolvimento de cirrose alcoólica.


Variações genéticas nas enzimas que metabolizam o álcool


Os genes são responsáveis por direcionar a produção de todas as proteínas do corpo, inclusive as enzimas. Pequenas diferenças em um determinado gene podem levar a pequenas diferenças na proteína correspondente, mas a grandes diferenças nas atividades de uma enzima.


Radicais livres e acetaldeído


Os radicais livres são fragmentos moleculares com grande poder reativo liberados durante a metabolização do álcool e causam grande parte dos danos celulares existentes no processo de degeneração hepática. O acetaldeído, primeiro produto da metabolização do álcool, parece ser importante na gênese dos radicais livres.


Sexo


Mulheres desenvolvem cirrose com doses acumuladas de álcool ao longo da vida bem menores do que os homens.


Verificou-se que as mulheres apresentam uma menor atividade do ADH no estômago do que os homens, fazendo que com grande parte da metabolização do álcool, nas mulheres, ocorra no fígado. Desta maneira, uma grande porcentagem do álcool ingerido nas mulheres atinge o fígado predispondo-as às lesões hepáticas.


Há uma diferença no metabolismo de ácidos graxos que poderia contribuir para um dano hepático acelerado nas mulheres. O consumo crônico do álcool inibe a maior via de metabolização dos ácidos graxos no fígado, acumulando-os e podendo provocar lesões hepáticas. A ativação de vias alternativas para a metabolização dos ácidos graxos poderia prevenir a formação destas lesões, contudo, foi demonstrado em ratos que esta ativação é bem menos eficaz em fêmeas.


Dieta


Antes dos anos 70, acreditava-se que a cirrose era consequente do déficit nutricional em usuários crônicos do álcool. Com o passar do tempo, portanto, mostrou-se que o álcool, por si só, era capaz de danificar o fígado mesmo que o indivíduo estivesse nutricionalmente preservado. Atualmente, acredita-se que há uma interação entre a toxicidade do álcool e fatores nutricionais. Por exemplo, deficiências vitamínicas podem diminuir a proteção hepática frente aos radicais livres.


Infecção pelo vírus da hepatite C


A maior parte dos indivíduos com o vírus da Hepatite C apresenta sintomas leves, porém, em alguns casos, a doença pode levar a um problema progressivo no fígado, como cirrose ou câncer. A infecção pelo Vírus da Hepatite C aumenta o risco e pode influenciar na progressão de lesões hepáticas em indivíduos alcoolistas.


Café e tabaco


Alcoolistas que fumam mais de um maço de cigarro por dia apresentam um risco de cirrose 3 vezes maior do que indivíduos não tabagistas. De maneira contrária, alcoolistas que consomem mais do que 4 xícaras de café por dia apresentam uma incidência 5 vezes menor de cirrose do que os que não tomam café. A causa para esses efeitos permanece desconhecida.


Há evidências de que o consumo não moderado de bebidas alcoólicas pode causar esteatose hepática. Essa doença é o acúmulo de gordura nas células do fígado, podendo regredir ou ficar estável conforme os anos passam, ou evoluir para a hepatite alcoólica, uma inflamação.


O abuso da ingestão de bebidas alcoólicas também pode ser responsável pela cirrose hepática, uma lesão crônica que se caracteriza pela formação de cicatrizes e nódulos que bloqueiam a circulação do sangue.


Por isso, estudos indicam que, para um homem adulto, há baixo risco de desenvolver dependência quando ele consome duas doses de álcool em um dia, seguidas de dois dias de abstinência. No caso da mulher, uma dose por dia, seguida pelo mesmo período sem consumo. Mas, não existe uma fórmula para consumo seguro, já que são vários os fatores que influenciam, como idade, peso corporal, quantidade de gordura no organismo, ritmo do metabolismo do fígado e muito mais.

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