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  • Dra. Cláudia Klein

Botox como tratamento para enxaqueca

Um dos grandes temas abordados no XXXIII Congresso Brasileiro de Cefaleia foi a aplicação de toxina botulínica como um dos principais agentes melhoradores da dor crônica e da evolução da enxaqueca em cefaleia crônica diária. Nos dias 24 e 25, o palestrante renomado, Dr. Blumenfeld realizou dois Workshops Teórico-Prático sobre o Botox como um tratamento com eficácia e segurança comprovada a longo prazo e o Simpósio Satélite ALLERGAN – Os benefícios da ação mais abrangente de BOTOX na migrânea crônica e importância da avaliação das comorbidades envolvidas.


A migrânea, mais conhecida como enxaqueca, é um distúrbio comum e incapacitante definido por sintomas neurológicos como dor de cabeça, sensibilidade à luz, som e náusea. Os pacientes com migrânea crônica enfrentam desafios distintos.



As enxaquecas estão associadas a altos níveis de incapacidade e custos socioeconômicos. De acordo com a OMS, a enxaqueca é uma das condições mais incapacitantes do mundo. Um ataque severo de enxaqueca é tão incapacitante quanto um dia vivido com psicose ativa ou quadriplegia.



A enxaqueca é uma das doenças mais impactantes socialmente, causando severas sinistralidade, e apresenta muitas comorbidades, como depressão e ansiedade.


Estudos recentes garantem que o protocolo de utilização da toxina botulínica, além de melhorar a dor crônica, também atua na incapacidade e na melhora das comorbidades.


Tendo isso em vista, a toxina atua desprogramando esse ciclo:











O Doutor Blumenfeld, membro da Academia Americana de Neurologia e da Sociedade Americana de Dor de Cabeça, tem sido um pesquisador ativo em dores de cabeça e publicou amplamente sobre o tema.
















Ele tem sido o principal pesquisador de muitos estudos mostrando que a toxina botulínica tipo A, vendida sob a marca de nome Botox®, é uma terapia preventiva eficaz para dores de cabeça em pacientes com enxaqueca crônica. Blumenfeld tratou mais pacientes utilizando a terapia com Botox® do que qualquer outro fornecedor do mundo. Além disso, treina outros médicos para tal uso nacional e internacionalmente.


Dois dos principais estudos realizados pelo Blumenfeld foram o CaMEO e o COMPEL.


O estudo CaMEO (Chronic Migraine Epidemiology and Outcomes) demonstra que há variações frequentes nos dias de cefaleia: pacientes com migrânea apresentam transições frequentes entre crônica e episódica com substancial variação dos dias de cefaleia por mês quando avaliados ao longo de um período de 15 meses. Outro dado relevante que o estudo apontou é que aproximadamente 75% das pessoas com migrânea crônica oscilam para migrânea episódica em algum momento durante um período de 12 meses. Além disso, foi aprestado a incidência de algumas comorbidades psiquiátricas: 56.6% de pessoas com migrânea crônica apresentam depressão e 48.4% têm ansiedade.


O estudo COMPEL (Chronic Migraine OnabotulinumtoxinA Prolonger Efficacy) fornece evidênicas clínicas consistentes de eficácia, segurança em longo prazo e tolerabilidade da toxina onabotulínica (Botox®) para o tratamento da migrânea crônica durante 2 anos (9 ciclos de tratamento) com dose fixa de 155U.



1) Como funciona a toxina botulínica?


A Toxina bloqueia a transmissão neuronal da dor através de injeções em lugares estratégicos. As injeções são seguras e superficiais, aplicadas com uma seringa de 1 ml e uma agulha de insulina, e devem ser refeitas a cada 3 meses para evitar reinervação e o retorno da dor. Essas aplicações podem ser feitas em consultório médico por neurologista experiente e habilitado para o tratamento, não sendo necessário um ambiente hospitalar. A toxina irá fazer um bloqueio reversível da terminação neuro muscular impedindo o estímulo doloroso de chegar ao cérebro. Ela bloqueia terminações nervosas periféricas e gânglios sensitivos de percepção à dor.


O Botox® impede a sensibilização periférica e indiretamente a sensibilização central. Isso acontece porque a toxina botulínica atua nos terminais nervosos da junção neuromuscular, inibindo os moduladores que ativam a contração do músculo, resultando em uma ausência de liberação periférica e, consequentemente, em uma diminuição do sinal para a medula espinhal ou para o núcleo trigeminal, o que gera a redução da liberação de CGRP (peptídeo do gene relacionado à calcitonina), SP (substância P) e peptídeos no Sistema Nervoso Central.


O exemplo abaixo demonstra a injeção bem próximo ao músculo supra orbital e no nervo suprateoclear inibindo a dor:











Uma das principais vantagens do uso da toxina para o tratamento é a baixa incidência de efeitos colaterais, visto que seu efeito é local e o produto não cai na corrente sanguínea.


2) Como funciona o protocolo de aplicação?


Os pontos de aplicação fazem parte de um protocolo e são iguais para todos os pacientes, pois são inativados todos os possíveis pontos que podem estimular nervos causadores de dor.


3) Quem são os pacientes com boa indicação para aplicar a Toxina Botulínica?


Pacientes com histórico detalhado para descartar fontes secundárias de dor de cabeça, estabelecer características da enxaqueca e avaliar o número total de dias de dor de cabeça. Para diagnosticar a enxaqueca, o paciente deve ter tido pelo menos cinco ataques que envolvem características da enxaqueca, conforme descrito. Nos adultos, os ataques não tratados geralmente duram 4 ou mais horas.



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