Buscar
  • Dra. Cláudia Klein

Cefaleias: como tratar a famosa enxaqueca?

Por que tanta dor?

Tem algo dentro do meu cérebro?

Por que a enxaqueca acontece?


Quase a totalidade das minhas consultas são decorrentes de dores de cabeça do tipo enxaqueca que se cronificaram. Meus pacientes chegam, às vezes, tomando vários analgésicos todos os dias, com uma dor que tem um impacto muito grande no dia a dia, principalmente por ser tão incapacitante.


Quem, com dor de cabeça, consegue raciocinar direito?


E o pior de tudo: a dor de cabeça é muito subjetiva! Nós podemos olhar para uma pessoa com muita dor sem ter a exata noção do grau de impacto que essa dor tem no dia a dia, então ela é permeada de preconceito. Muitas vezes as dores de cabeça não são levadas tão a sério quanto deveriam. Esse sofrimento é mais brutal, porque é intangível – não é como uma perna quebrada, entende?


Vamos ver só um pouco de estatística - eu sei que é chato, mas só pra gente entender o grau de impacto:

- 93% da população americana já teve algum tipo de dor de cabeça;

- 31% desses deveriam ter algum tipo de tratamento;

- 76% das mulheres e 57% dos homens relatam ao menos uma dor de cabeça ao mês nos Estados Unidos;

- a nível estadunidense, a redução da produtividade no trabalho por causa de dores de cabeça registra um marco de 6.7 a 17.2 bilhões de dólares por ano que poderiam ser otimizados;

- são perdidos cerca de um milhão de dias escolares e mais de 150 milhões de dias de trabalho norte-americanos por faltas decorrentes de dores de cabeça;


A FALTA DE INFORMAÇÃO FAZ COM QUE 60% DAS MULHERES E 70% DOS HOMENS NUNCA TENHAM PROCURADO OU RECEBIDO UM DIAGNÓSTICO OU TRATAMENTO APROPRIADOS PARA SUAS DORES DE CABEÇA.


A meu ver é uma questão de saúde pública, dado o tamanho grau de prejuízo, não só financeiro, mas de vida mesmo!


Afinal, o que é a enxaqueca? O que acontece no cérebro?


A enxaqueca é um distúrbio primário do cérebro, que começa usualmente na adolescência, mas pode ter início em qualquer idade. Ocorre com maior incidência em mulheres devido a uma predisposição genética precipitada por fatores desencadeantes.


A dor ocorre por um distúrbio neurovascular, sendo geralmente a dificuldade de produzir serotonina de maneira adequada, causando um processo inflamatório principalmente em vasos extra-cranianos, produzindo um fenômeno de nome (complicado, rs) chamado de Disfunção de Complacência Vascular.


Lembrando que a serotonina faz parta da nossa química boa que produz bem estar, entendemos que a falta dela produz este efeito negativo nos vasos - que nada mais é que um excesso de dilatação quando sentimos a cabeça pulsar e um excesso de contração quando vemos, por exemplo, luzinhas brilhando antes da dor – o que chamamos de aura.


A dor de cabeça da enxaqueca, na maioria das vezes, é unilateral e do tipo latejante, de intensidade forte. Se acentua com esforços físicos, mudança de posição da cabeça e com esforço mental. Além da dor de cabeça, na crise de enxaqueca podem ocorrer náusea, vômitos e diversas intolerâncias, como luz, ruídos e odores.


Mesmo se não tratadas, as crises desaparecem dentro de 4 horas a 72 horas.


Outro aspecto interessante é que as crises de enxaqueca podem ser desencadeadas em alguns indivíduos por diversos fatores interessantes, como emoções, determinados alimentos, mudanças no horário de alimentação ou sono, exposição a calor excessivo, entre outras. Freqüentemente, indivíduos da mesma família apresentam cefaléia com as mesmas características.


Para os antigos, as dores de cabeça advinham dos maus espíritos, e o tratamento envolvia um furo no cérebro para retirada dos malfeitores. Hoje, as técnicas mudaram bastante, e temos que entender que o tratamento deve ser multifatoreal.


Vamos falar sobre os tratamentos para dores crônicas; ou seja, quando a dor passa de crises mensais para dores semanais, senão diárias.


As crises se cronificam por dois motivos principais:

1) Aumento do stress

2) Abuso de analgésico


Os analgésicos são a principal fonte de piora da dor - o que surpreende muito os pacientes!

O que consideramos abuso de analgésico: o consumo de 1 ou mais comprimidos a cada crise, de qualquer analgésico, durante um período mínimo de 1 mês. Esses analgésicos entram na corrente sanguínea e entopem todos os nossos receptores de defesa contra dor, impedindo o corpo de liberar suas próprias substâncias naturais contra dor, causando resistência medicamentosa.


Ou seja, cada vez mais você precisará de mais analgésicos para tratar a dor de cabeça e os resultados serão menos eficazes. Isso é tão sério que eu já precisei internar pacientes para desintoxicar dos analgésicos, para então começar a tratar a dor da maneira correta.

Mas então quando a dor é crônica, como tratar?


A primeira coisa é: não adianta mudar de analgésicos, pois já vimos que abaixa a serotonina e cronifica a dor.


Recentemente, estive num encontro sobre novos medicamentos para tratamento profilático, uma abordagem que mostra que a dor é apenas uma parte do pilar. É necessário olhar o indivíduo como um todo, partindo para uma atuação terapêutica com união de abordagens tanto medicamentosa quanto não-medicamentosa (o famoso “gold standard”).


Para a parte não medicamentosa:

1- Durma bem! Tenha um sono reparador e descanse de verdade;

2- Normalmente, quem tem enxaqueca tem um sono muito leve. Então, evite cafeína e outros estimulantes após às 15h;

3- Pratique atividades físicas. Musculação resistida com aeróbico intervalado pode aliviar os seus sintomas;

4- Faça terapia cognitivo-comportamental;

5- Procure um acupunturista;

6- Medite – seja em aulas, seja sozinho com vídeos online;

7- Procure saber sobre biofeedback – pode te ajudar muito;

8- Não esqueça da alimentação! É necessário manter uma nutrição desinflamante;

9- Pesquise cobre a higiene do sono – suas práticas serão fundamentais para a sua cura.


Hoje, sabemos que a mudança de comportamento e a repetição desta mudança produzem, no cérebro, um fenômeno importantíssimo chamado Neuroplasticidade Cerebral.


Ele modifica a química do cérebro, que aprende a produzir mais serotonina e mais endorfina, causando um aumento das sinapses principalmente nas regiões cerebrais do córtex pré-frontal, que é nossa área de bem estar e felicidade.


Já em relação aos medicamentos, hoje temos estudado muito a relação entre cérebro e intestino. A nossa serotonia vem de uma substância chamada 5 HTP, que absorvemos apenas com um intestino saudável. Portanto é fundamental - e percebo muito na minha prática clínica – o uso de probióticos para tratamento de disbiose intestinal.


Outro método a ser aplicado em conjunto é a medicação profilática: várias classes de medicação que ajudam na recuperação de serotonina.


Mais um tratamento que gosto muito, pois testemunho excelentes resultados, é a aplicação de toxina botulínica. Para dores refratárias ou para pacientes que, por algum motivo, não conseguem tomar a medicação preventiva, a aplicação de toxina botulínica é sempre um tratamento complementar, com pouquíssimos efeitos colaterais. Apesar de ser um procedimento invasivo, tem suas indicações muito bem estabelecidas. Funciona como uma desprogramação neuromuscular da dor.


Estão chegando no Brasil alguns medicamentos à base de anticorpos monoclonais, com a perspectiva de bloquear um neuropeptídeo chamado CGRP, que está aumentado na crise de enxaqueca.


Resumindo tudo:


A enxaqueca é uma doença crônica de predisposição genética. É desencadeada, principalmente, por desequilíbrios no estilo de vida.


Eu sempre digo aos meus pacientes:

Aproveitem o tempo da medicação profilática para fazerem mudanças profundas e sempre se perguntem “o que eu quero pra mim daqui pra frente?”


Seja a curto, médio ou longo prazo, se não quiser estar como está hoje, procure tratamentos e mude para ontem!


Dúvidas? Estou à disposição para falarmos!



#enxaqueca #cefaleia #neuro

50 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

OZONIOTERAPIA

A ozonioterapia resulta de um procedimento terapêutico de aplicar uma mistura de gases oxigênio e ozônio. De maneira geral, as aplicações são aconselhadas pelo motivo do ozônio possuir propriedades an

Contato

+55 11 3051 6946

+55 11 9 9772 1633

Rua Bento de Andrade, nº 228 - Jardim Paulista, São Paulo, SP - Brasil