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  • Dra. Cláudia Klein

Cérebro Intestinal & Ecologia Interna

Você quer permanecer jovem e saudável? Então cuide do seu intestino e dos seus telômeros!


O Conceito mais atual de Qualidade na Saúde, hoje, passa pelo nosso intestino e pelo nosso Microbioma. Esses conceitos são extremamente importantes e vou trazer para vocês informações atuais, considerando como já estamos fazendo esta abordagem na nossa prática clínica, com expressivos resultados nos processos de dores crônicas e da neurologia do comportamento – minha expertise.


Vou modificar um provérbio muito antigo: me diga como está sua Microbiota que te direis como estará sua saúde e de que doença você morrerá.


Esta abordagem foi realizada recentemente pelo Luis Felipe Oliveira, biólogo e geneticista. Em 2018, ele criou a BiomeHub, spin-off de sua startup com foco em utilizar tecnologias para auxiliar profissionais da saúde e pacientes a entenderem o seu microbioma, apoiando o diagnóstico de condições clínicas complexas e medicina personalizada.



Apenas para título de curiosidade, temos abaixo um gráfico representativo do aumento de pesquisas relacionadas ao microbioma humano.



No nosso intestino, vivem, de forma simbiótica conosco, mais de 100 trilhões de bactérias. Para comparação, nós temos aproximadamente 10 trilhões de células. São mais de 2 mil espécies diferentes de bactérias que nos ajudam a realizar uma infinidade de tarefas, cada uma com suas funções.


Simplificadamente, elas digerem substâncias que não temos como digerir; ou seja, nós as alimentamos e elas devolvem vários nutrientes, tais como:


  • Vitamina K: que ajuda na coagulação do sangue;

  • Vitaminas do complexo B: que, dentre muitas funções, constroem a mielina dos neurônios;

  • Trioptofano: responsável por produzir serotonia, melatonina e muitos outros neurotransmissores que ajudam a fornecer quase 80% de ATP - energia que o colonócito (célula intestinal) precisa para suas funções metabólicas.


Então vamos tentar entender quando começa a colonização do nosso intestino e por que a maioria de nós tem a predisposição de não manter essas bactérias saudáveis ao longo da vida, gerando graves doenças.


Uma colonização ideal começa ao nascimento e termina por volta dos 2 anos de idade. Você teve uma colonização saudável se cumpriu dois pré-requisitos:


A) Parto vaginal: a primeira cepa de bactérias vinda do canal de parto materno (lactobacilos);


B) Aleitamento materno: sendo exclusivo até os seis meses de idade, o intestino do bebê será colonizado por bifidobactérium.


Obs.: caso haja uso de antibioticoterapia na primeira infância, a adequada colonização já ficou comprometida.


Portanto quantos de nós estamos ou fomos adequadamente colonizados???


70% da nossa atividade imunológica acontece no intestino. Portanto, o cuidado com o completo desenvolvimento e saúde deste órgão é de suma importância para uma vida adulta equilibrada.

Já existem trabalhos que desaconselham a criação de “Crianças Assépticas” – ou seja, aquelas que não podem se sujar com nada. Isso produz uma descompensação na primeira barreira de defesa intestinal, podendo causar disfunções/doenças autoimunes no futuro. Tudo, desde o nascimento, deve ser em equilíbrio.


Mudanças na Ecologia Interna e a Disbiose Intestinal


A Disbiose Intestinal acontece quando há um desequilíbrio no ecossistema interno, que pode ter iniciado logo após o nascimento. Vários outros fatores também perturbam nosso equilíbrio, sendo eles:


· Antibióticos/anti-inflamatórios

· Uso indiscriminado de antiácidos e protetores de bombas, como os “prazois

· Consumo de álcool

· Alimentos processados com corantes e conservantes

· Agrotóxicos

· Refrigerantes

· Estresse crônico

· Ingestão de muito carboidrato, que leva à fermentação

· Poluentes ambientais

· Cosméticos com alumínio em excesso


Essas condições aumentam o crescimento de bactérias patogênicas, ocorrendo um processo inflamatório e um intestino permeável, chamado Leaky Gut, que permite a absorção de alimentos não completamente digeridos e de muitos fragmentos bacterianos pela nossa circulação, causando doenças.



O Leaky Gut causa:


· Doença inflamatória crônica subclínica

· Enxaquecas (se já existem, podem ficar mais fortes)

· Dores crônicas (se intensificam)

· Fibromialgia

· Resistência à insulina

· Hipertensão arterial

· Hipotireoidismo

· Doenças autoimunes



O nosso intestino é inervado por um nervo chamado Vago. Este controla nosso Sistema Nervoso Autonômico, e pode ser estimulado, pelas toxinas da disbiose, a produzir de maneira inadequada nossos neurotransmissores, sendo eles serotonina e melatonina.


Com isso, entendemos que doenças como depressão, transtorno de ansiedade, fadiga, dores crônicas e distúrbios do sono podem ter tido seu início a partir de um quadro de disbiose.



No próximo artigo, vamos conversar sobre Equilíbrio do Microbioma e Tratamentos


#neuro #neurologia #microbioma #intestino

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