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  • Dra. Cláudia Klein

Depressão e o aumento do consumo de álcool

A pandemia, o distanciamento social e a quarentena podem levar ao aumento do uso indevido de álcool e substâncias.


Pesquisas de mercado, realizadas nos Estados Unidos e no Canadá, evidenciaram um aumento nas vendas de álcool em até 55%! O aumento do consumo ocorreu especialmente em pessoas de 35 a 54 anos, sendo que 25% reconheceram o incremento no uso de álcool na pandemia, e 44% atribuíram tal fato ao estresse.


Muitas vezes, o abuso de álcool é usado como uma tentativa de autotratamento para quadros depressivos. Em uma tentativa de anestesiar sentimentos e sensações, as pessoas procuram consumir mais substâncias.


Fora do contexto das pandemias, o uso indevido de álcool é uma das principais causas de morte evitável, contribuindo, anualmente, para cerca de três milhões de mortes no mundo! Além das consequências agudas do uso pesado de álcool, existe o potencial de que o seu uso indevido, a longo prazo, possa transformar-se em um transtorno decorrente do uso de álcool.


O aumento da taxa de suicídio também apresenta forte relação com momentos pandêmicos. Há algumas evidências de que as mortes por suicídio aumentaram nos EUA, durante a pandemia de influenza de 1918-1919, e entre pessoas idosas em Hong Kong durante a epidemia de síndrome respiratória aguda (SARS), de 2003.


Associa-se o distanciamento social e a solidão a problemas de saúde mental, tornando o suicídio mais provável de ocorrer. Existem relatos de aumento das tentativas de suicídio pelo medo da pandemia e pelas consequências negativas, decorrentes da mesma. Por isso, reconhecer como a pandemia pode aumentar o risco e aplicar o conhecimento sobre abordagens eficazes de prevenção do suicídio neste momento são questões fundamentais.


Nesta pandemia do Covid-19, serviços de linhas diretas de prevenção ao suicídio estão relatando um aumento no número de ligações em, pelo menos, 20%. O crescimento da utilização desses recursos sugere que os problemas de saúde mental estão crescendo, frente ao pavor, ao medo e à incerteza ampliados e relacionados à pandemia.


Muitas famílias enfrentaram perdas significativas durante a pandemia. “Perdas” é um termo abrangente e envolve perdas de entes queridos, mas também vários outros aspectos da vida durante a crise. Elas podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos mentais e estresse psicológico. Aqueles com transtornos mentais podem ter uma piora dos sintomas, e os outros, sem o diagnóstico anterior, podem desenvolver novos problemas de saúde mental, especialmente TDM, ansiedade e estresse pós-traumático.


Medidas sanitárias, como o lockdown, podem causar perda da liberdade e, secundariamente, perda de relações íntimas, amizades e suporte social. As pessoas podem se deparar com múltiplas perdas simultaneamente (tais como de pessoas queridas, liberdade e emprego). O luto é inevitável e multidimensional para aqueles que enfrentaram perdas.


A pandemia continuará afetando muitos de nós profundamente. Perdas e lutos emergem como temas centrais na vida de muitos indivíduos, famílias e comunidades, em diferentes cenários. É necessário desenvolver estratégias que auxiliem na adaptação funcional diante de perdas, promovendo saúde mental e bem-estar, mesmo durante a crise.


O que fazer?

As intervenções em crises psicológicas, como as que se observam na pandemia da Covid-19, devem levar em consideração três pontos básicos:


1) entender o status de saúde mental nos vários extratos sociais;

2) identificar pessoas com risco de suicídio e agressão e

3) prover intervenções terapêuticas para aqueles que necessitam.


Neste momento, é recomendado, quando possível, um acompanhamento médico. Caso perceba um aumento do consumo de álcool e outras substâncias e/ou alterações psicológicas e comportamentais, procure um psicólogo ou psiquiatra. Não tente tomar conta de tudo sozinho; estamos passando por um momento de grandes mudanças e perdas. Peça ajuda!

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