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  • Dra. Cláudia Klein

Distúrbios do Sono e o Ritmo Circadiano

Atualmente, nós acabamos por negligenciar os distúrbios do sono. Acabamos não identificando e fazendo o diagnóstico correto, a partir do ritmo circadiano. Além disso, não estamos bem equipados para oferecer suporte não farmacológico para tratar de tais disfunções.


É muito importante que nós, médicos, perguntemos aos pacientes, independentemente da reclamação apresentada, como anda o seu sono.


A sonolência diurna excessiva e a privação de sono são duas queixas comuns na prática nutricional. Isso não só resulta em consequências metabólicas, como também num declínio de tomadas de decisão saudáveis.


Acredita-se que a Síndrome da Fase do Sono Retardado (quando a pessoa demora mais do que o normal para dormir) é o mais comum. Normalmente, o atraso é de 3 a 6 horas, fazendo com que durmam até mais tarde, quando permitido. No entanto, quando a pessoa possui um horário para despertar, é muito normal a privação de sono.


A Síndrome da Fase Avançada do Sono (ASPS) é, muitas vezes, esquecida ou, ainda, associada ao envelhecimento. Indivíduos com ASPS acordam cedo sem muito esforço e, seguindo seu padrão circadiano, podem adormecer entre 18h e 21h. Entretanto, pressões sociais podem atrasar sua hora de dormir e causar o sono crônico privação.


Atrasos ou avanços do sono podem acontecer porque o Sistema Nervoso Central não responde aos estímulos provocados pela luz (ou pela sua ausência). E, por isso, que até 70% dos cegos reclamam de interrupção crônica do sono.


O padrão de sono-vigília irregular inclui aqueles com má higiene do sono ou aqueles que voluntariamente têm ciclos irregulares. O trabalho em turnos noturnos e o jet lag são dois exemplos disso. Mas é importante ressaltar que a capacidade de lidar com as mudanças nos padrões circadianos varia entre os indivíduos - nem todos os viajantes sofrem de jet lag.


O padrão de sono-vigília irregular também pode ocorrer em pessoas com condições de desenvolvimento, lesão cerebral e demência.


A apnéia do sono, apesar de não ser reconhecida como um distúrbio do ritmo circadiano do sono, pode afetar drasticamente o padrão circadiano. A má qualidade do sono causa sonolência diurna e afeta o despertar. A gravidade desta condição é descrita pelo número médio de eventos respiratórios por hora de sono (frequência) e pela duração de cada evento.


É interessante observar que no início da manhã, as durações da apnéia são mais longas e a frequência mais baixa. Já no final da tarde e no início da noite, a duração dos eventos é mais curta e a frequência é alta. Isso provavelmente acontece devido à ideia de que a plasticidade respiratória ou o controle neuronal da respiração é modulado por um sistema do ritmo circadiano. Além disso, a atividade muscular das vias aéreas superiores, o que ajuda manter a patência das vias aéreas superiores, também é modulada por um ritmo circadiano.


A prescrição de um horário de sono e a promoção de cochilos diurnos podem estar envolvidos no gerenciamento da apnéia do sono, no que se refere à estabilidade respiratória. Lidar com o excesso de peso corporal e inflamações são duas das principais intervenções nutricionais que auxiliam os indivíduos com apnéia do sono.


Para mais informações sobre tratamento e nutrição, confira o artigo da próxima semana!!



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