Buscar
  • Dra. Cláudia Klein

Eixo cérebro-intestino e saúde mental

O eixo cérebro-intestino, já abordado por mim algumas vezes, é um conceito muito interessante e mais estudado a cada dia. Após muitas pesquisas, pôde-se evidenciar que há uma comunicação bidirecional entre o trato gastrointestinal e o cérebro, que é regulada tanto em nível neural e hormonal quanto imunológico.


Isso significa que sinais do cérebro podem modificar a movimentação, as sensações e o bem-estar do sistema digestivo e que o intestino, por sua vez, envia mensagens ao cérebro que podem afetar o comportamento, as emoções, o estresse e a dor. E é por isso que o intestino está sendo chamado de “segundo cérebro”!!

Este eixo é um sistema vital para a homeostase, dependendo do tipo de colonização das bactérias que vivem no microbioma do intestino. A microbiota intestinal - micro-organismos, como bactérias, vírus e fungos que vivem no trato gastrointestinal - faz parte deste processo e é extremamente importante, visto que tem como função manter a integridade da mucosa e controlar a proliferação de bactérias patogênicas (perigosas).


Fatores como infecções, doenças, dietas (principalmente as que abrangem os alimentos industrializados) e antibióticos afetam a composição da microbiota, podendo levar ao desenvolvimento de uma população que desencadeia processos inflamatórios! Por isso, muitos neurocientistas estão propondo mudar a denominação para “eixo cérebro-intestino-microbiota”, sendo um termo mais preciso e abrangente.



Saúde mental

Se antes procurávamos a origem de transtornos psicológicos e psiquiátricos exclusivamente no cérebro, hoje, evidências mostram que a microbiota pode apresentar forte influencia nessas questões. Essa relação entre o intestino e o estado de humor é bastante fácil de perceber quando, por exemplo, em momentos de estresse, sentimos dores de barriga!


Um dos principais motivos para que isso ocorra é que, dentro do nosso sistema digestivo, há cerca de 500 milhões de neurônios e mais de 30 neurotransmissores, que emitem respostas emocionais e comportamentais!!


Outro ponto importante é que são processados no intestino cerca de 50% de toda a dopamina e 90% da serotonina presentes no organismo!! Esses neurotransmissores estão ligados ao prazer e ao bem-estar. Um desequilíbrio nos níveis de dopamina pode resultar em compulsão, alucinação e delírio. A escassez de serotonina pode provocar baixa autoestima e depressão, já o excesso normalmente resulta em ansiedade.


Quando há uma falha na integridade da barreira intestinal, o intestino fica com pequenos furos, permitindo a passagem de bactérias nocivas, que podem causar potentes processos inflamatórios e reações imunes. A ruptura na composição da microbiota contribui para vários estados de doença, incluindo distúrbios do sistema nervoso central - que podem impactar na saúde mental do indivíduo.


Na depressão crônica, por exemplo, há uma proporção aumentada de enterobactérias gram-negativas (responsáveis por uma ampla gama de infecções), o que induz uma resposta autoimune relacionada à serotonina, levando à fadiga e depressão. Pesquisadores, a partir de modelos animais de estudo, verificaram um aumento da depressão quando administraram essas bactérias nocivas nos animais de laboratório. O mais interessante é que a depressão induzida pelas bactérias negativas pode ser revertida com uso de probióticos, os compostos concentrados em bactérias “amigas”.


Conclusão

Dessa forma, fica clara a importância de uma microbiota saudável e de uma barreira intestinal preservada para a saúde mental e para o adequado funcionamento do cérebro (e do organismo como um todo). O segredo para melhorar o nosso humor e a saúde do nosso cérebro está conectado com o nosso intestino. Se a nossa microbiota não está bem, ela pode impactar na nossa saúde mental!!


A dica de hoje, então, é: invista em bons hábitos alimentares! Tenha uma alimentação saudável, com uma dieta rica em fibras, porque elas promovem um aumento de bactérias amigas e inibem a proliferação das bactérias nocivas, e baixa em gorduras saturadas e carboidratos refinados, visto que estes aumentam os furos na permeabilidade do intestino e processos inflamatórios. Além disso, acrescente a ingestão de probióticos e probióticos para regular a flora intestinal e de vegetais e frutas, para a síntese de substâncias anti-inflamatórias, garantindo a saúde do indivíduo.




Fonte:

https://www.activiadanone.com.br/81-o-papel-da-microbiota-intestinal-no-eixo-cerebro-intestino/

https://clinicador.med.br/entenda-a-conexao-entre-cerebro-e-intestino/

https://cognitivascientia.com.br/o-incrivel-eixo-intestino-cerebro-2/



21 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Síndrome Pós-Covid é o termo utilizado para descrever casos de pessoas que foram infectadas por Covid-19, mas continuam sentindo alguns sintomas da doença, como cansaço excessivo, tosse, dificuldade d

Diabetes tipo 2 é uma doença crônica caracterizada pela resistência do organismo à insulina e aumento dos níveis de açúcar no sangue, o que causa sintomas como boca seca, perda de peso, aumento da von