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  • Dra. Cláudia Klein

Estresse leve e estresse tóxico para crianças e adolescentes

Todas as transformações e notícias sobre o Covid-19 tiveram um forte impacto em nossas vidas, né? Mas nós não fomos os únicos afetados... Nossas crianças e adolescentes também podem estar sofrendo de estresse durante este período turbulento!


As informações e emoções relacionadas à pandemia e captadas pelas crianças, bem como as mudanças de rotina, poderão ser processadas de tal forma que gerarão estresse. Quando essas informações são processadas por um cérebro saudável e não são de grande perigo para o bem-estar da criança, haverá sinais leves de estresse e, possivelmente, uma rápida adaptação, resultando em aprendizado e desenvolvimento emocional.


Agora, quando os estímulos que chegam ao cérebro da criança são intensos, ou quando a criança tem formas alteradas de processá-los, poderá ocorrer o estresse tóxico. Isso acontece, por exemplo, ao enxergar ameaças de forma amplificada e com a certeza de que ocorrerão, ou quando elas se sentem impotentes para gerenciar um desafio. E, quando há estresse tóxico, problemas emocionais ou comportamentais, ou mesmo transtornos mentais, podem surgir!


Sinais de estresse leve, no entanto, incluem alterações mínimas ou passageiras de comportamento. As crianças podem manifestar medo, insegurança e raiva relacionados à situação, ou ainda, ter tristeza, envolvendo perdas objetivas, devido à pandemia - o que é bem normal, não é mesmo?


É comum que ocorram alterações de comportamento, como impaciência, oposição e mudança leve nos padrões de sono e apetite. Além disso, pode haver o surgimento ou a piora de tiques motores, e os problemas de fluência na comunicação (como gagueira), o terror noturno, e a dificuldade para controlar as necessidades fisiológicas.


O estresse tóxico é um dos mais importantes fatores de risco preveníveis para os transtornos mentais. Sendo assim, evitar que ele ocorra ou identificar precocemente a sua presença são iniciativas importantes para prevenir o surgimento de distúrbios. Sinais de estresse intenso incluem alterações persistentes ou graves, como isolamento, falta de interesse em conversar com amigos ou realizar atividades prazerosas em casa, sensação de tédio persistente, brigas frequentes e agressividade, recusa para realizar atividades escolares, medo intenso de sair de casa, pensamentos repetitivos sobre a sua morte ou a de familiares, pesadelos, choro fácil e alterações nos padrões de sono e de apetite.


As consequências que surgem a partir do estresse podem ocorrer ainda durante a infância, ou mesmo anos após a ocorrência da situação!! São vários os transtornos que podem resultar das situações envolvendo a pandemia: depressão, transtornos de ansiedade (como a ansiedade generalizada, ou a ansiedade de separação), ataques e transtorno do pânico, transtorno de estresse pós-traumático, dentre outros.


E por que isso acontece? Os transtornos mentais são a expressão da interação entre vulnerabilidades biológicas, que têm alta determinação genética, e fatores ambientais. Nesse contexto, crianças com vulnerabilidade mais acentuada, mas ainda manejável, podem perder o equilíbrio pelo aumento de estresse ambiental imposto pela pandemia.


Assim, crianças com alguns sintomas obsessivos e/ou compulsivos leves podem evoluir para um caso pleno, em função dos medos de contaminação. Aquelas com sintomas atencionais e/ou de hiperatividade/impulsividade leves podem desenvolver um quadro pleno de Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), por causa das dificuldades impostas pelo ensino on-line.


Os pais desempenham uma função extremamente importante ao longo do desenvolvimento de seus filhos, auxiliando-os a reconhecer, elaborar e manejar as situações de estresse. Quanto menor é a criança, maior será o papel dos pais, evitando que estímulos estressores cheguem até ela, e, quando isso ocorre, agindo ativa e constantemente para minimizar os danos. Quanto maior é a criança, menor será a chance de que os pais consigam evitar que os estressores a alcancem. De certa forma, eles nem devem fazer isso, mas sim amparar os filhos e facilitar que utilizem as situações de estresse como forma de aprendizado.


De maneira geral, os pais devem reconhecer os sinais de estresse dos filhos, validar o estresse por eles vivenciado e retransmitir a eles respostas que geram acolhimento, segurança e aprendizado. Pais podem estimular que seus filhos vejam a atual situação de diferentes perspectivas, enfatizando ângulos positivos. Quando há perdas importantes na família e/ou dificuldades financeiras, o aprendizado gira em torno da aceitação e da convicção de que a família, unida, irá enfrentar estes desafios. Por outro lado, quando os pais não captam ou não respondem aos sinais de estresse que os filhos emitem, eles podem intensificar o estresse dos jovens.


E o que fazer então? Como já dito, as famílias têm um papel fundamental no apoio às crianças e são fundamentais para ajudá-las a lidar com o estresse. Sinais de estresse leve são muito frequentes e, quando identificados, podem ser abordados pelos próprios pais. Reconhecer os sentimentos vivenciados e expressá-los é uma etapa inicial e muito importante, que deve ser estimulada pelos pais (ou educadores principais). Estabelecer formas de lidar com os sentimentos, pensar em estratégias comportamentais que podem levar a novas experiências, e ressignificar os estressores (passando a enfatizar aspectos positivos envolvidos) podem ser estratégias úteis!


No entanto, sinais de maior gravidade ou persistência de alterações no comportamento devem servir de alertas para a avaliação especializada!! Se perceber que os sintomas estão exacerbados e com uma duração maior do que interpreta como normal, marque uma consulta com um especialista! Um psicólogo, por exemplo, poderá fazer um diagnóstico mais assertivo e dar as melhores orientações para cada caso.


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