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  • Dra. Cláudia Klein

Evolução tecnológica e os relacionamentos humanos

Começo com essa frase do grande mestre da psiquê humana:


“Conheça todas as teorias; domine todas as técnicas. Mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana” – Carl G. Jung


Mas, na verdade, meu assunto de hoje é discutir com vocês sobre tecnologia e inovação. Estou fazendo um curso maravilhoso sobre diversos temas relevantes, tais como inovação disruptiva, inteligência artificial, telemedicina, opensource way (ou “modo código aberto”), homebody economy e microaprendizagem. São todos conceitos novos rumo à inovação do nosso dia a dia e do nosso “ser”.


Outro dia, no LinkedIn, li um artigo de Marcos Gomes, premiado como “Melhor Profissional de Tecnologias de Marketing” do mundo em 2013 pela World Technology Network e fundador da “Boo-box (uma das empresas de publicidade mais inovadoras do mundo pela revista FastCompany), sobre a substituição de seres humanos por robôs:


“Robôs estão tirando o emprego de médicos ginecologistas, radiologistas e oncologistas. Nenhuma carreira está a salvo; robôs vão fazer qualquer trabalho.”


Um ecossistema de robôs pode sim constituir um mercado. Assim como nós, humanos, seguimos a nossa programação biológica, os robôs seguem suas programações tecnológicas para cumprir as tarefas às quais foram endereçados. Noah Yuval Harari explora brevemente este cenário no seu livro “21 Lições Para o Século 21” – super recomendo!


Mas e no amor? Como será o nosso futuro? Como serão os nossos relacionamentos?


Estamos em constante mudança na forma de nos relacionarmos. As possibilidades de encontros, por meio das redes sociais, trouxeram questões intrigantes.


  • Na medida em que o dia a dia das pessoas está mais exposto, todo mundo sabe da vida de todo mundo;

  • O que se mostra é muito longe da realidade... Já atendi pacientes que se mostram constantemente felizes nas redes sociais, mas estão em busca de medicamentos para angústia e solidão;

  • É muito fácil manter conversas que seriam difíceis olho no olho, cara a cara;

  • É muito mais fácil romper friamente por mensagens sem ter que lidar com a dor do outro pessoalmente;

  • As infinitas possibilidades de encontros podem causar confusão. Às vezes, tendemos a achar que o que temos de real não é tão interessante quanto o que vemos no virtual;

  • Hoje em dia, há muita dificuldade em aprofundamento; e relacionamento é atrito e burilamento emocional, construindo algo resultante do aprendizado em comum.


Mas e a Inteligência Artificial (IA): o que nos trará no futuro?


“Com os avanços da IA, será muito mais fácil encontrar parceiros ideais, (situação) semelhante ao filme Her. Não demorará muito para que um algoritmo apresente correspondências com base no seu perfil de DNA e feromônio, inclusive linkando com seu nível intelectual, cultural e socioeconômico. O amor estará a apenas um clique.” Texto extraído da plataforma ofuturodascoisas


E aí, o que vocês acham??


Decidi transcrever uma crítica importante do doutor Leonardo Aguiar, que aposta no “olho no olho”:


“Em relação aos relacionamentos do futuro, achei muito interessante a visão sobre a tecnologia potencializando o "ser" humano. Potencializando os conhecimentos sobre a nossa genética, aprimorando a possibilidade de "evolução", potencializando os feromônios, e também aprimorando nossas chances de um relacionamento ser mais duradouro (fazendo os matches da vida real serem mais assertivos); mas a pergunta que ficou na minha mente é sobre como lidaremos com nossos conflitos internos, nossos sentimentos ambíguos e nosso livre arbítrio quanto estivermos contrariando a I.A.”


Eu também não tenho uma resposta, mas provoco vocês a pensarem nisso e me contarem se chegarem a alguma conclusão.


Termino a minha reflexão com um poema do Roberto Crema, psicólogo transpessoal que tanto admiro:



Atrite se


Ninguém muda ninguém;

ninguém muda sozinho;

nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso.

É nos relacionamentos que nos transformamos.

Somos transformados a partir dos encontros,

desde que estejamos abertos e livres

para sermos impactados

pela ideia e sentimento do outro.


Você já viu a diferença que há entre as pedras

que estão na nascente de um rio,

e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas,

pontiagudas, cheias de arestas.


À medida que elas vão sendo carregadas

pelo rio sofrendo a ação da água

e se atritando com as outras pedras,

ao longo de muitos anos,

elas vão sendo polidas, desbastadas.


Assim também agem nossos contatos humanos.

Sem eles, a vida seria monótona, árida.

A observação mais importante é constatar

que não existem sentimentos, bons ou ruins,

sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir

um relacionamento próximo com o outro,

é não crescer, não evoluir, não se transformar.


É começar e terminar a existência

com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás,

vejo que hoje carrego em meu ser

várias marcas de pessoas

extremamente importantes.


Pessoas que, no contato com elas,

me permitiram ir dando forma ao que sou,

eliminando arestas,

transformando-me em alguém melhor,

mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvidas,

com suas ações e palavras

me criaram novas arestas,

que precisaram ser desbastadas.


Faz parte...


Reveses momentâneos

servem para o crescimento.

A isso chamamos experiência.

Penso que existe algo mais profundo,

ainda nessa análise.

Começamos a jornada da vida

como grandes pedras,

cheia de excessos.


Os seres de grande valor,

percebem que ao final da vida,

foram perdendo todos os excessos

que formavam suas arestas,

se aproximando cada vez mais de sua essência,

e ficando cada vez menores, menores, menores...


Quando finalmente aceitamos

que somos pequenos, ínfimos,

dada a compreensão da existência

e importância do outro,

e principalmente da grandeza de Deus,

é que finalmente nos torna

mos grandes em valor.


Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?


Sabemos quanto se tira

de excesso para chegar ao seu âmago.

É lá que está o verdadeiro valor...

Pois, Deus fez a cada um de nós

com um âmago bem forte

e muito parecido com o diamante bruto,

constituído de muitos elementos,

mas essencialmente de amor.

Deus deu a cada um de nós essa capacidade:

a de amar...


Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago,

temos que nos permitir,

através dos relacionamentos,

ir desbastando todos os excessos

que nos impedem de usá-lo,

de fazê-lo brilhar.


Por muito tempo em minha vida acreditei

que amar significava evitar sentimentos ruins.


Não entendia que ferir e ser ferido,

ter e provocar raiva,

ignorar e ser ignorado

faz parte da construção do aprendizado do amor.


Não compreendia que se aprende a amar

sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...

os superando.


Ora, esses sentimentos simplesmente

não ocorrem se não houver envolvimento...


E envolvimento gera atrito.


Minha palavra final: ATRITE-SE!


Não existe outra forma de descobrir o amor.


E sem ele a vida não tem significado.”





Que não percamos a capacidade de nos atritar e nem a de tocar outra alma humana.


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