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  • Dra. Cláudia Klein

Glifage x insulina no tratamento para diabetes gestacional

A diabetes mellitus gestacional (DMG) é uma doença metabólica crônica, caracterizada por hiperglicemia e pela intolerância à glicose, que pode ocorrer em diversos graus de intensidade e se manifesta durante a gestação. Se não tratada, pode desencadear macrossomia e malformações fetais. A incidência de DMG pode ser reduzida com a utilização de medicamentos hipoglicemiantes, como Glifage, ou a partir da Insulina. Não há, até o momento, evidências de superioridade de um método sobre o outro durante a gestação, portanto a escolha deverá ser individualizada, levando em consideração a capacidade de compreensão, as demandas da gestante e os recursos da equipe de saúde.

Fatores de risco para diabetes gestacional:


  • Idade igual ou superior a 30 anos;

  • Índice de massa corporal (IMC) > 27kg/mg;

  • Antecedente familiar de diabetes mellitus;

  • Macrossomia fetal em gestação anterior;

  • Óbito fetal sem causa aparente em gestação anterior;

  • Abortamento habitual;

  • Malformação fetal em gestação anterior.

Glifage

É um composto farmacológico para o tratamento da síndrome do ovário policístico em mulheres grávidas, a partir do qual se obtiveram fortes evidências da redução da incidência de DMG. Tem revelado efeitos fisiológicos e farmacológicos importantes, como estimulador da atividade dos receptores de insulina e melhora da atividade das enzimas envolvidas nos mecanismos de sinalização intracelular da insulina. Diante disso, sua utilização é preferida pelas gestantes por conta da diminuição da hipoglicemia, menos resultados perinatais, fácil administração e mais economia quando comparada à da insulina.


Sugere-se que outros estudos de comparação mais apurados de Glifage sejam realizados, além da paciente marcar consulta com médico ginecologista a fim de saber sua conduta e eliminar quaisquer dúvidas com relação à sua farmacodinâmica e farmacocinética tanto para a mãe quanto para o feto. Há diversas críticas com relação ao seu uso devido e à inexistência de estudos que reflitam suas consequências na fase adulta. Apesar disso, a Federação Internacional de Diabetes defende sua utilização, analisando que estudos do impacto da droga a longo prazo não existem, embora também não haja estudos a longo prazo para Insulina aplicada à DMG, que já tem uso comum, e os desfechos promovidos pelo Glifage são extremamente promissores quando comparados à Insulina.


Indicações e contraindicações para uso de Glifage na Diabetes Gestacional

Indicações


  • Falha no alcance das metas de controle glicêmico;

  • Não acessibilidade à insulina;

  • Dificuldade na auto-administração da insulina;

  • Estresse em níveis exacerbados decorrentes do uso de insulina;

  • Restrição alimentar excessiva da gestante para evitar o uso da insulina;

  • Doses elevadas de insulina sem controle glicêmico adequado;

  • Ganho de peso materno excessivo;

  • Ganho de peso fetal excessivo.


Contraindicações


  • Falha no alcance das metas de controle glicêmico;

  • Idade materna avançada,

  • Glicemia de jejum elevada;

  • Diagnóstico precoce de DMG, que indica provável ineficácia do fármaco;

  • Fetos abaixo do percentil 50;

  • Presença de crescimento intrauterino restrito;

  • Gestante com doença renal crônica.


Insulina

É um hormônio, associado ao substrato energético hiperglicêmico, no qual, determina a macrossomia fetal e os fatores de risco. Considerando a população crescente de mulheres obesas, e o potencial para resistência à insulina, a tendência em ampliar o diagnóstico de DMG aumenta. A distribuição das doses da insulina deve ser baseada no perfil obtido no monitoramento diário da glicose. Frequentemente, será necessário indicar um regime de múltiplas injeções usando insulinas de ação prolongada ou de ação intermediária em combinação com insulina de ação prandial. Entretanto, o uso de insulina é complexo, de maior custo e de menor aceitação pelas pacientes; e isso pode, adicionalmente, acarretar ganho indesejado de peso. Como alternativa terapêutica, medicações orais mostraram-se, recentemente, de efetividade comparável à da insulina no tratamento do diabetes gestacional.

Conclusão

O tratamento tradicional de DMG é com a Insulina, no entanto estudos têm mostrado a eficácia da medicação Glifage quando comparada com o tratamento convencional. O rastreamento e diagnóstico precoce previne eventos adversos maternos e fetais, bem como impedem ou retardam o aparecimento de diabetes gestacional em mulheres. O rastreamento precoce também é fortemente recomendado para que se identifique a diabetes prévia à gestação, mas ainda não diagnosticada.











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