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  • Dra. Cláudia Klein

Isolamento social e a atividade sexual

Neste contexto extremamente atípico que estamos vivendo, com muitas mudanças e inseguranças, podem surgir, também, diferentes disfunções corporais e comportamentais. Hoje vamos discutir de uma bastante presente e que, por vezes, carrega um tabu.


A falta de acesso aos serviços de saúde, de apoio social e familiar e a limitação dos recursos financeiros podem criar situações que resultam em violência interpessoal e sexual - característica percebida em diferentes países.


Outro impacto em relação à atividade sexual no período de pandemia é que as medidas restritivas podem causar depressão, frequentemente associada à redução no interesse sexual, especialmente em mulheres. No entanto, curiosamente, um estudo italiano relatou um aumento do desejo sexual durante a quarentena.


Entretanto, este crescimento não se traduziu em maior frequência de relações sexuais, nem na satisfação sexual - que diminuiu significativamente! Esses resultados podem ser parcialmente explicados por alguns hábitos adotados durante o isolamento social: prática de masturbação e consumo de pornografia. Uma pesquisa recentemente publicada confirmou que, apesar do desejo sexual feminino ter aumentado durante a pandemia, a qualidade de vida sexual das mulheres diminuiu.


Sabe-se que o estresse e o confinamento favorecem o consumo de pornografia, em função de desemprego, sobrecarga de trabalho ou tarefas domésticas, e reestruturação dos papeis familiares. Além disso, há indícios de que fatores comportamentais, como tabagismo ou estilo de vida mais precário, e as diferenças biológicas, especialmente as genéticas e hormonais, também impactam nisso.


Outro ponto importante é a diferença nas complicações pela Covid-19 entre os sexos. Os homens se mostraram desproporcionalmente mais afetados do que as mulheres na pandemia do coronavírus!


A taxa de mortalidade tem sido maior entre homens mais jovens do que entre os mais velhos e as mulheres. A diferença entre os gêneros é menor quando se considera homens com 85 anos ou mais, sugerindo que esse declínio possa estar associado a menores níveis de testosterona, o que é próprio nos idosos.


Apesar de muitas pesquisas já terem sido realizadas para estudar a atividade sexual na pandemia, análises adicionais e um acompanhamento mais longo são necessários para confirmar todos os resultados acima descritos!


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