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  • Dra. Cláudia Klein

MINND AWAKE: Meditação & Neurociência

A neurociência tem estudado muito os saberes ancestrais, que nos ajudam a melhorar a nossa expansão de consciência para promovermos saúde, equilíbrio, bem-estar e, principalmente, melhorarmos nossas relações interpessoais em todos as esferas.


Hoje, sabemos que o modo como nos relacionamos traduz um indicador importante do nosso sucesso. Porém, o primeiro passo é tentar responder a algumas perguntas, mentalmente e em silêncio:


Como quero viver a vida? Estou satisfeito com o meu desempenho? Tenho me esforçado para ser mais coerente? Eu pratico o que falo?


E a principal pergunta, que me acompanha todos os dias: eu sou líder e dono dos meus próprios pensamentos?


Budda nos dá uma definição realista da mente humana:


“A mente, a alma, é um macaco pulando de galho em galho, em busca do fruto na selva do condicionamento humano. Esta definição aponta para a inquietude da alma ordinária. Atinge-se nous quando o macaco se aquieta, e há toda uma pedagogia orientada para este alvo.


Nous refere-se à dimensão noética, uma consciência pura, sem objeto. Refere-se a uma dimensão silenciosa, serena e pacífica da psique profunda. Não é difícil reconhecer que a psique superficial é inquieta e agitada”.


Fonte: palestra do Mestre Roberto Crema



Então hoje vamos aprender a mergulhar nas profundezas da Consciência Humana em que a mente se aquieta!


No post anterior, conversamos sobre como estamos perdendo a nossa Escuta Interna. Por essa correria paranóica do dia a dia, algumas vezes permanecemos paralisados no ruim que já conhecemos sem conseguirmos ter atitude de ação e de mudança. Chamamos este estado de Patologia da Normose.


O cérebro primitivo - ou reptiliano - é composto por estruturas responsáveis por algumas funções básicas relativas à sobrevivência e por respostas automáticas: digestão, sono, respiração, batimentos cardíacos, e funções de caráter primitivo, como agressividade e dominância do território. Ele é composto, também, pela medula espinhal e o prosencéfalo.


O sistema límbico - ou o cérebro emocional - é composto por várias estruturas (hipófise, hipotálamo, hipocampo, giro de cíngulo) que conectam os hemisférios cerebrais. É o responsável pela motivação e é onde encontramos a amígdala, responsável pela nossa sobrevivência, por despertar o medo, formando, com outras estruturas corticais e subcorticais, o “sistema de sobrevivência”.


A amígdala se relaciona com diversos núcleos neurais e com o eixo endócrino; mantém-se alerta a tudo que nos cerca e nos avisa quando uma situação de perigo iminente pode nos colocar em risco. Então é disparada a reação inata de luta, fuga ou congelamento.


Esses circuitos cerebrais vão se solidificando caso o estímulo fique mais repetitivo, e aciona com muito mais rapidez o sistema HPA (hipotálamo/hipófise/adrenal) para produzir cortisol, gerando uma cronicidade do processo.


Isso faz com que pessoas com estresse, ansiedade, síndrome do pânico, depressão, insônia, fadiga crônica, cefaleia e dores crônicas disfuncionem esses circuitos cerebrais alterando a química cerebral e o sistema neuroendócrino por uma mudança na sensibilização desses circuitos.


Além disso, a nossa memória inconsciente fica armazenada no hipocampo e na amígdala cerebral, e não é trazida para o córtex cerebral nem para a consciência. Todos os traumas que vivemos e não pudemos elaborar fica guardado tanto no nosso cérebro emocional e quanto no primitivo.


O neocórtex cerebral - ou cérebro cortical - confere capacidade de linguagem, abstração, planejamento e percepção.


Tive uma paciente que tinha síndrome do pânico. Em processo terapêutico, ela recordou que, aos 8 anos de idade, acordou de madrugada com uma chuva forte e trovejadas. Buscou por seus pais, mas não os encontrou em casa.


Ela sentiu tanto medo, desproteção e abandono que essa reação adrenérgica foi se sensibilizando toda vez que se sentia abandonada e, posteriormente, até a possibilidade de chuva já a deixava em pânico.


Ou seja, aquela criança não soube elaborar a emoção, deixando o medo registrado na amígdala cerebral. Com isso, os circuitos foram se fortalecendo até ela começar a ter ataque de pânico com trovão.


Estudos importantes de Meditação e Ressonância funcional registraram o aprendizado associativo “ciclo do hábito”. O comportamento se associa ao efeito positivo e negativo através do reforço positivo e negativo. Adaptado, com permissão, de Brewer, veja representação abaixo:



Como a meditação desacopla a resposta associativa ao aprendizado?


Estudos destacaram componentes psicológicos potenciais do ciclo de aprendizado associativo e começaram a esclarecer como a atenção plena pode atuar nele. Por exemplo, demonstrou-se que o treinamento em mindfulness diminui a reatividade afetiva, sugerindo que ele pode atuar nos componentes afetivos.


Assim, o mindfulness pode fornecer uma visão mais precisa do senso de si, ajudando a re-centralizar as habilidades cognitivas. Além disso, foi demonstrado que o treinamento da atenção plena desacopla diretamente o vínculo entre desejo e comportamento.


Por exemplo, em um estudo de treinamento em atenção plena para a cessação do tabagismo, antes do início do tratamento, os participantes mostraram uma forte correlação entre desejo e tabagismo - o nível de desejo previa o número de cigarros que fumavam. Após quatro semanas de treinamento em mindfulness, o desejo não previa mais fumar, e esse desacoplamento foi diretamente moderado pela quantidade de prática de mindfulness praticada pelos indivíduos quando os desejos estavam presentes.


Sara Lazar, neurocientista da Escola de Medicina de Harvard, fez uma série de estudos a respeito do impacto da meditação no cérebro humano.


“O Primeiro estudo avaliou meditadores de longa data versus um grupo controle. Descobrimos que os meditadores de longa data têm a massa cinzenta aumentada na região da ínsula e regiões sensoriais do córtex auditivo e o sensorial. O que faz sentido. Quando você tem atenção plena, você está prestando atenção à sua respiração, aos sons, à experiência do momento presente, e fechando as portas da cognição. É lógico que seus sentidos são ampliados.


Também descobrimos que eles têm mais massa cinzenta no córtex frontal, o que é associado à memória de trabalho e à tomada de decisões administrativas.


Pegamos (também) pessoas que nunca tinham meditado antes, e colocamos um grupo delas em um programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.


Descobrimos diferenças no volume do cérebro depois de oito semanas em cinco regiões diferentes dos cérebros dos dois grupos. No grupo que aprendeu meditação, encontramos um aumento do volume em quatro regiões:


1. A diferença principal encontramos no giro cingulado posterior, o qual está relacionado às lembranças e auto- regulação.

2. O hipocampo da esquerda, o qual dá suporte ao aprendizado, cognição, memória e regulação emocional.

3. A junção temporoparietal, ou JTP, à qual está associada a tomada de decisões, empatia e compaixão.

4. Uma área do tronco do cérebro chamada de Ponte, onde muitos neurotransmissores reguladores são produzidos.


A amígdala, a parte do cérebro responsável pelo instinto de ataque ou fuga, e que é importante nos aspectos da ansiedade, medo e estresse em geral, ficou menor no grupo que participou do programa de oito semanas de atenção plena com foco na redução de estresse.”


Apesar dos estudos, ainda não se tem dados científicos suficientes para confirmarem o tempo mínimo de meditação necessário para melhora do cérebro; o que se sabe é que há sim influência positiva e recomenda-se meditação assim como a prática de exercícios físicos.



Fonte: https://www.contioutra.com/neurocientista-da-harvard-meditacao-nao-apenas-reduz-estresse-ela-muda-o-seu-cerebro/

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