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  • Dra. Cláudia Klein

O impacto da pandemia na saúde mental

Este ano atípico demonstrou a existência de uma crise sanitária e humanitária. Dentro da realidade de cada um, todos passaram a se proteger, evitar contato desnecessário e higienizar as coisas o máximo possível.


A pandemia instaurou um medo coletivo. Diariamente assistimos aos números aumentarem, às incertezas dos cientistas e à ausência de uma solução efetiva a curto prazo.


E, diante disso, além da doença transmitida pelo coronavírus, estamos correndo o risco de uma epidemia paralela, que já dá indícios preocupantes: o aumento do sofrimento psicológico, dos sintomas psíquicos e dos transtornos mentais.


Embora o impacto da disseminação do vírus para as doenças psíquicas ainda esteja sendo mensurado, as implicações para a saúde mental em situações como a que estamos vivendo já foram relatadas na literatura científica.


É possível dividir as consequências da pandemia em quatro ondas. A primeira onda se refere à sobrecarga imediata sobre os sistemas de saúde em todos os países que tiveram que se preparar às pressas para o cuidado dos pacientes graves infectados pela Covid-19.


A segunda onda está associada à diminuição de recursos na área de saúde para o cuidado com outras condições clínicas agudas, devido ao realocamento da verba para o enfrentamento da pandemia.


A terceira onda tem relação com o impacto da interrupção nos cuidados de saúde de várias doenças crônicas.


E a quarta onda inclui o aumento de transtornos mentais e do trauma psicológico provocados diretamente pela infecção ou por seus desdobramentos secundários.



O aumento dos sintomas psíquicos e dos transtornos mentais durante a pandemia pode ocorrer por diversas causas! Dentre elas, pode-se destacar a ação direta do vírus no sistema nervoso central, as experiências traumáticas associadas à infeção ou morte de pessoas próximas na pandemia, o estresse induzido pela mudança na rotina devido às medidas de distanciamento social ou pelas consequências econômicas, na rotina de trabalho ou nas relações afetivas e, por fim, a interrupção de tratamento por dificuldades de acesso.


Pensando que esses cenários não são independentes e que uma pessoa pode ter sido exposta a várias destas situações ao mesmo tempo, o risco para desenvolver ou para agravar transtornos mentais já existentes é elevado!


Por isso, se atente a sua saúde mental, pratique atividades físicas, leia um bom livro, desligue a televisão quando não estiver te fazendo bem, e converse! Converse com quem você confia; você não está sozinho nessa! Coloque suas inseguranças, medos e tristezas para fora e, se achar melhor, marque uma consulta com um psicólogo. Isso não é sinal de fraqueza, mas sim de sabedoria.


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