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  • Dra. Cláudia Klein

O Impacto do Consumo de Carnes Animais em Pandemias

Você sabia que a escolha da sua alimentação e estilo de vida pode impactar na saúde de uma forma global?


Uma dieta vegetariana e um lifestyle consciente impacta em todo o ecossistema. Reduzir a ingestão de carne traz muitos benefícios à sua saúde e ao planeta e, quanto mais gente se conscientizar disso, mais essas vantagens são reproduzidas em escala global.


Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), é preciso lidar com as saúdes humana, animal e do ecossistema de forma integrada. A maioria das novas doenças e dos vírus, que se tornaram conhecidos devido ao seu alcance nos últimos anos, tem origem animal.


A maioria dos animais carrega uma variedade de patógenos, ou seja, bactérias e vírus, que podem causar doenças. A sobrevivência evolutiva desse patógeno depende da infecção de novos hospedeiros e, pular para outras espécies é uma maneira de fazer isso.


A expansão contínua das terras agrícolas em áreas selvagens, juntamente com um ‘boom’ mundial da produção animal, faz com que o gado e os animais selvagens estejam mais em contato uns com os outros - e isso também se aplica para os humanos.


A crise do HIV/Aids dos anos 80 teve origem nos primatas, a gripe aviária de 2004-07 veio de aves e os porcos nos deram a gripe suína de 2009. Mais recentemente, foi descoberta a Sars, também causada por um vírus do tipo corona, oriunda de morcegos, via civetas (um pequeno mamífero asiático), enquanto os mesmos morcegos também foram os precursores do Ebola.


No caso do Coronavírus, a hipótese mais aceita é que o morcego, conhecido por ser portador de um número considerável de coronavírus diferentes, deixou um rastro do vírus em seus excrementos. Um animal silvestre, possivelmente um pangolim (principal suspeito), à procura de insetos para comer, teve contato com os excrementos e, consequentemente, com o vírus.


Devido a uma cultura ainda pautada no consumo de carne e na valorização de constituintes animais, o pangolim é capturado, entra em contato com seres humanos e, de alguma forma, acaba contaminando-os. Este mamífero é uma das espécies mais traficadas em todo o mundo (e, por isso, ameaçada de extinção), por causa da grande demanda por sua pele e, também, pela apreciação de sua carne.


O mercado de Wuhan - epicentro do surto - foi fechado depois que o surto veio à tona devido a sua seção de animais silvestres, onde são vendidos animais vivos ou abatidos. Estes mercados criam as condições ideais para que os vírus sofram mutações e saltem de uma espécie para outra (incluindo seres humanos).


Outro problema neste cenário é que, para evitar surtos de doenças, os animais são obrigados a consumir grades quantidades de antibióticos, o que provoca o nascimento de super bactérias, que são mais resistentes.


Tendo isso tudo em vista, é importante enfatizar que não podemos lidar com a saúde humana, a saúde animal e a saúde do ecossistema de forma isolada, temos que ter uma abordagem mais holística.


Tendemos a tratar cada nova doença infecciosa como uma crise independente, em vez de reconhecer que são um sintoma de como o mundo está mudando.


Quanto mais modificamos o ambiente, maior a probabilidade de perturbar os ecossistemas e oferecer oportunidades para o surgimento de doenças.


Deixo, então, essa questão para reflexão. Essa mudança tecnológica, cultural e social que estamos vendo tem um impacto extremo na natureza. Devemos ter mais consciência disso e, dentro do possível, fazer a nossa parte para evitar essa situação.

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