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  • Dra. Cláudia Klein

Paralisia facial

A paralisia facial é uma alteração que leva a perda dos movimentos realizados pelos músculos da face. Isso leva à dificuldade de expressão da mímica facial, geralmente afetando apenas um lado do rosto, o que pode ser potencialmente grave pelas sequelas que podem permanecer se não diagnosticadas e tratadas precocemente.


Diferenças entre paralisia facial cerebral e paralisia facial central


A paralisia facial pode ter duas origens: central (quando o problema está no cérebro, como no caso dos derrames cerebrais – AVC) ou periférica (quando a lesão ocorre no nervo facial, PFP - Paralisia Facial Periférica).


No AVC, há uma lesão por falta de irrigação sanguínea na parte do cérebro responsável pela movimentação do rosto e isso dificulta o movimento da boca para comer e/ou sorrir. A movimentação da testa e o fechamento dos olhos normalmente mantêm-se normais. Além disso, muito provavelmente outros sintomas estão associados: dormência ou fraqueza em braços ou pernas; dificuldade de enxergar; alteração para andar ou equilibrar-se; confusão mental; dificuldade de fala; etc. É importante ressaltar que o AVC é uma condição com risco de morte e sequelas graves, portanto trata-se de uma emergência médica e em caso de qualquer suspeita deve-se ir a um pronto socorro imediatamente.


Já a PFP é o tipo mais frequente de paralisia facial. Com prevalência de 10 a 30 por 100.000 na população, em geral, ocorre principalmente entre 15-40 anos de idade – cinco vezes mais entre diabéticos. Caracteriza-se pela paralisia aguda completa ou parcial da hemiface. Ela ocorre por uma inflamação de um dos nervos faciais, responsáveis pelos movimentos do nosso rosto. Cada nervo sai do crânio através de um canal ósseo que cruza o ouvido interno e médio de cada lado até sair próximo ao ângulo da mandíbula e se distribuir para o rosto (testa, olhos e boca principalmente), portanto, todo o lado do rosto fica paralisado.


Por que a PFP afeta o lado do rosto todo, enquanto o AVC normalmente afeta somente a boca?

Nosso nervo facial de cada lado recebe ordem para mover a boca apenas de um dos lados do cérebro, enquanto a ordem de mover a testa e fechar os olhos vem dos dois lados do cérebro. Portanto, quando o AVC lesa a região do cérebro responsável por mover o rosto de um dos lados, o outro lado do cérebro ainda envia comandos para haver movimento da testa e olhos, logo, apenas a boca fica paralisada.


Estatística


De acordo com um estudo da SCIELO, a causa mais comum de PFP é a forma idiopática, também conhecida por paralisia de Bell, cuja incidência é de 20 a 30 casos por 100 mil habitantes por ano e responde por cerca de 70% de todos os casos de PFP. A idade média de ocorrência é por volta dos 40 anos, é mais rara na infância e adolescência e é mais comum após os 70 anos de idade. O prognóstico é geralmente bom, havendo recuperação completa em torno de 80% dos casos, mas há a possibilidade de fatores de mau prognóstico e podem ocasionar sequelas graves.

Exames


A avaliação clínica é imprescindível e, dentre os exames por vezes solicitados para dar um diagnóstico correto, estimar a gravidade das lesões do sistema nervoso e registrar a atividade elétrica dos nervos e músculos envolvidos estão a eletroneuromiografia e exames de imagem. O exame físico, incluindo exame neurológico, otoscopia, exame da parótida, inspeção do canal auditivo e pares cranianos, são importantes na determinação da causa e da localização do prejuízo do nervo facial. É imprescindível que o médico oriente a melhor forma de investigação e o tratamento adequado.

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