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  • Dra. Cláudia Klein

Reconstruindo vidas - #outubrorosa

Outubro é o mês da prevenção ao câncer de mama. Claro que a prevenção temos que fazer todo tempo, mas acho importante esse ritual de lembrança.


A vida é tão corrida... Temos tempo para tudo, menos para nós mesmos. Então vamos fazer do mês da lembrança uma época para realizarmos algo um pouco mais profundo: o autocuidado!


Aproveito para fazer uma grande homenagem às mulheres da minha família.


Tudo começou em 2006. A história que conto agora é uma história real. É a minha história.

É a história de mulheres guerreiras; de um cão que mudou a minha vida; de uma doença difícil; de um Câncer de superação; e de muitas lições.


Era um fim de semana de fevereiro; eu estava indo para aula de medicina chinesa, quando percebo que Yuri, meu chow chow de 40 quilos, não se levantou: ele estava chorando com a patinha machucada. Como eu estava atrasada, coloquei algumas agulhas de acupuntura nele, até que levantou e segui para a aula.


Quando chego em casa, percebo que algo não está bem. Minha mãe havia tentado pegar na pata machucada dele, mas levou várias mordidas.


Sim, Yuri era bem bravo. Mas era meu grande companheiro.


Eu ainda morava com a minha mãe, mas depois desse episódio, acabamos nos mudando, eu e Yuri. Apesar da minha mãe gostar dele, ela havia ficado com medo, claro...


A mudança foi difícil; eu tinha acabado a residência e estava estudando novas técnicas. Via muitos desafios à frente e eu vivia fora de casa. Com isso, Yuri agora ficava sozinho, num apartamento pequeno.


Sua adaptação muito complicada. Fiz de tudo para ele parar de latir quando eu saía para trabalhar – e ficava sempre imaginando os vizinhos ouvindo aquele gigante latindo por horas.


Foi então que, por acaso, encontrei o contato da Sheila Waligora. Foi como uma daquelas sincronicidades da vida... Como dizia Jung: existe uma ressonância implícita do mistério que chamamos sincronicidade. Quando estamos conectados e fazemos uma pergunta para o universo, ele nos responde!



E foi assim!


Sheila é médica veterinária e tem a capacidade de conversar com os animais. Eu queria muito que ela me ajudasse a fazer Yuri parar de latir; a entender o que estava acontecendo para saber como acalmá-lo. Assim que ela chegou, Yuri a recebeu estranhamente: ele a deixou entrar, deitou-se nos pés dela e dormiu.


Quando ela o mentalizou, me disse:


- Yuri me conta que sua mãe está muito doente, por isso te tirou de casa. É a chance da sua mãe reorganizar a vida dela e reaprender a fazer as próprias escolhas.


Eu respondi que minha mãe não tinha doença alguma e que eu gostaria de uma orientação quanto ao Yuri ficar descontrolado latindo por mais de 8 horas. Ela me orientou a dar uma companheira a ele.


Foi então que conheci a Yamit (do hebraico, benção das águas). Yuri significa “minha luz”.



Passados dois meses, minha mãe descobre um câncer de ovário super agressivo. Foi operada duas vezes e fez um tratamento novo na época em que tomou quimioterapia por um cateter na barriga - que fez a diferença em sua cura!


Nesse processo, fizemos o teste genético através de uma avaliação com Oncogeneticista, que colheu a história genética de toda família. Descobrimos várias mulheres com câncer de mama e ovário.


Descobrimos, também, que minha mãe era portadora do gene BRCA1 mutante, e que esse gene vinha do pai dela, meu avô.




Testes genéticos relacionados à Síndrome do câncer de mama e ovário hereditários


A síndrome de câncer de mama e ovário representa de 5% a 10​% dos casos de câncer de mama. Tem herança autossômica dominante e está relacionada à presença de mutações germinativas nos genes BRCA1 e BRCA2 – há indícios de que algumas mutações nesses genes elevam em até 80% o risco de câncer.


Mutações no gene BRCA1 estão mais associadas aos tumores de mama triplo-negativos e maior risco de câncer de ovário. Já as mutações no gene BRCA2 estão mais associadas ao câncer de mama masculino e ao câncer de pâncreas.


Fonte: Oncogenética Hosp Albert Einstein



A descoberta que fizemos é de extrema importância, porque esse gene mutado predispõe a canceres de mama, ovário, intestino e pâncreas. Com a resposta positiva do teste, que, em 2008, foi de sangue, mas já pode ser feito pela saliva, existe a chance de mudar a história de vida de várias famílias!


Em mulheres com teste positivo, recomenda-se a mastectomia total para quase que zerar o risco de câncer de mama, bem como a retirada do útero e dos ovários.


A princípio, pode parecer algo mutilante e drástico, porém essas duas doenças, câncer de mama e câncer de ovário, são altamente metastáticas e com baixa sobrevida.


Na minha família, mãe e irmã vieram com BRCA1 positivo e passaram pela mastectomia.


Em 2016, foi a minha vez.


Fui diagnosticada com uma lesão pré-maligna na mama, chamada de Hiperplasia Ductal Atípica Pleomórfica Severa. Eu não tinha o gene familiar, porém fiquei mais atenta aos exames da mama e, após 4 biópsias e duas setorectomias, também me foi indicado realizar a mastectomia.


De 2016 a 2019 foram oito cirurgias, porque tive muitas intercorrências e infecções, com muita dificuldade de cicatrização.


Em virtude de todo esse processo cirúrgico, de muita licença médica, muito dreno, muita punção e muito repouso, comecei a estudar sobre os novos conceitos da medicina da longevidade com o uso de nutracêuticos e probióticos regeneradores mitocondriais para entender melhor o que ocorria comigo.


Foi um processo duro, difícil e desafiador.


De tudo isso, nunca vou conseguir responder o famoso “por que eu?”, mas talvez responda o “para que?”


E o "para que" nos traz algumas lições.


Yuri morreu em 2015, e me ensinou que há muitos mais mistérios entre o céu e a terra. Os desafios da nossa caminhada são muitos. Não jogue fora sua intuição; eu não tinha o gene, mas insisti que minha lesão era grave, e se não tivesse operado a chance de hoje estar doente era alta.


Quando todos dizem que não há nada a fazer, vá atrás do impossível, leia, converse, veja experiências de vida que te tragam novidades. Saia da normose, pense fora da caixa: o universo conspira a seu favor!


E, por último, não subestime sua força e a força de quem te ama; isso muda tudo e faz a diferença.




#outubrorosa #cancerdemama #mastectomia

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