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  • Dra. Cláudia Klein

Relógios Circadianos Centrais e Periféricos

Mesmo sem pistas externas do ambiente (como luz solar), os humanos mantêm um ritmo sono-vigília muito próximo de 24 horas. Em mamíferos, o relógio circadiano central que regula este ritmo está localizado no Sistema Nervoso Central. Este marca-passo mestre regula ritmos como o ciclo sono-vigília, o sistema nervoso autônomo, temperatura corporal, expressão gênica e secreção hormonal, incluindo a melatonina. Além disso, há evidências de que o ciclo das células também é regulado por meio do ciclo dia-noite.


É importante destacar que, sem as tais dicas externas de tempo, o período do relógio interno é, na verdade, cerca de 24,2 horas. E, por isso, deve ser reiniciado e ajustado diariamente para 24 horas para manter o organismo em sincronia com o mundo externo.


O SNC (Sistema Nervoso Central) é influenciado pelos sinais de luz que entram na retina, sincronizando, assim, a fase de ritmos com o ambiente externo. Isso é orquestrado por meio de uma via monossináptica de células fotossensíveis na retina, que recebem entrada fótica para o SCN. E, por meio de uma via multissináptica, as informações são transferidas do SNC para a glândula pineal, que é responsável por sintetizar melatonina - neurotransmissor que regula os ritmos circadianos e o sono.


Como demonstrado na imagem abaixo, o relógio circadiano central envia sinais para relógios periféricos em todo o corpo (encontrados em todas as células, tecidos e órgãos).


Enquanto o relógio circadiano central é impulsionado pela luz que entra na retina, e domina os ritmos de atividade, os periféricos são acionados pela alimentação e dominam ritmos metabólicos, incluindo glicose, homeostase lipídica e secreção hormonal.


Dessa forma, pode-se dizer que nutrientes e horários das refeições podem afetar o relógio e a coordenação do metabolismo.


A crononutrição tem duas facetas:

1) Nutrientes e substâncias. A cafeína, por exemplo, pode alterar a periodicidade do relógio, e as dietas ricas em gordura podem afetar o ritmo da lipogênese, os lipídios circulantes e o comportamento alimentar.


2) O horário das refeições. Pular o café da manhã ou o jantar pode aumentar o risco de obesidade, enquanto comer de forma regular pode sincronizar o relógio e compensar distúrbios metabólicos.


A sincronicidade entre os relógios central e periférico é, portanto, importante para a saúde metabólica. Algumas pesquisas apontam que trabalhadores do turno da noite ou em regime rotativo têm uma maior risco de diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares.


Procure sempre ter uma rotina adequada e equilibrada de sono e alimentação e, para qualquer dúvida, consulte um médico!


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