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  • Dra. Cláudia Klein

Tipos de tratamento para enxaqueca

Dando continuidade aos temas discutidos no XXXIII Congresso Brasileiro de Cefaleia, hoje apresento as três mais recentes e avançadas terapêuticas para o tratamento das migrâneas crônicas e enxaquecas:


- Toxina botulínica


Como já discutido no post anterior, estudos recentes comprovam que a aplicação de toxina botulínica, mais conhecida como Botox, promove a redução dos sintomas dos pacientes que sofrem com enxaqueca crônica. Esta consiste em dor de cabeça por 15 ou mais dias no mês por, no mínimo, três meses.


O tratamento mais comum para enxaqueca pode envolver a prescrição de antidepressivos, anticonvulsivantes, remédios para labirintite, pressão e coração, de acordo com a necessidade do paciente. O uso excessivo desses remédios, a longo prazo, provoca uma redução dos seus efeitos, tornando-os ineficazes para combater as enxaquecas. E, por isso,

o Botox aparece como uma promissora solução.


Tendo isso em vista, a ANVISA aprovou o uso das aplicações de Botox, a toxina botulínica tipo A, para o tratamento da enxaqueca crônica no Brasil. O Botox, aplicado em pontos específicos, resultam na melhora significativa dos sintomas da enxaqueca. Em estudo epidemiológico feito no Brasil, dores de cabeça frequentes afetam 6,9% da população Brasileira.


A aplicação de Botox deve ser feita em alguns pontos específicos, diferente para cada paciente com enxaqueca, não sendo só realizada nos pontos habitualmente utilizados nas aplicações com finalidade estética. O tratamento envolve pontos na região temporal, occipital e nuca, além de pontos na testa. São usados 32 pontos em 13 músculos diferentes.



















Além disso, na maioria das vezes, utiliza-se um frasco inteiro do Botox no tratamento da enxaqueca, ao contrário das aplicações estéticas que usam doses menores.



- Anticorpos monoclonais


Outro tratamento para enxaqueca é o uso dos anticorpos monoclonais. Este consiste em injeções semanais, aplicadas no subcutâneo, com mínimos efeitos colaterais.


Os anticorpos monoclonais agem inibindo a produção de um neuropeptídio que é produzido no circuito trigeminal da dor, chamado CGRP (Calcitonin Gene-Related Peptide). Ele está envolvido na cascata de fenômenos químicos que são observados durante uma crise de dor de cabeça em pacientes com enxaqueca.


O medicamento ainda não é comercializado no Brasil, mas o seu início está estipulado para o final deste ano. A principal desvantagem será o preço, mas ele apresenta boas perspectivas de resultados, e é uma alternativa para quando existir ineficiência de outros tratamentos e/ou intolerância de outros preventivos.



- Estimulação transcraniana


A terceira nova forma de tratamento são os estimuladores transcranianos não invasivos. Estes são aparelhos que emitem uma frequência de onda que produzem um efeito anti-inflamatório.




Existem aparelhos sofisticados usados em consultório e, também, aparelhos mais simples que os pacientes podem ter em casa e utilizar no momento da crise e como prevenção.


No congresso pudemos experimentar os aparelhos:



























No Congresso, pudemos concluir que a toxina botulínica, os anticorpos monoclonais e a estimulação transcraniana não invasiva são as terapêuticas mais avançadas para tratamento da dor. Entretanto, vale ressaltar que a enxaqueca é uma síndrome complexa e multifatorial e sua abordagem deve ser multidisciplinar.


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