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  • Dra. Cláudia Klein

Yuri & Eu - uma história de amor

Animal não é coisa! Nunca foi! Eis que me deparo com a surpresa da votação no Senado de que animais não são coisas, mas seres sencientes.


Para mim, é chocante ser necessária uma votação como esta. Acho que é para todos os amantes da vida, na verdade. Me parece algo como: “foi aprovado pelo Senado que os Brasileiros de agora em diante podem sentir dor quando forem machucados e reclamar dos seus direitos” - é tão surreal que choca, não?


Porém, para todos os ativistas, a legislação dar voz a quem não tem como se defender é um marco de empatia e consciência. Com certeza, um ato muito importante para disseminar alguns sentidos.


A única diferença, enquanto espécies, entre os seres humanos e os animais irracionais é que nós sabemos quem somos; ou seja, temos consciência do nosso auto saber. Mas somos todos sencientes: sentimos dor, sofremos, ficamos com raiva, nos alegramos... A diferença é que nós sabemos que sabemos!


Há 3 anos partia meu grande professor. Yuri foi um grande cão humano; daqueles que olham na alma. Ele era mais gente que muita gente por aí... Tão gente que até tinha TOC – é sério, acreditem, ele não molhava as patas. Eu descia com ele para passear após a chuva e ele simplesmente, ao perceber que iria molhar as patas, voltava para casa.


Yuri era tipo um general, bem autoritário. Quando eu chamava, nunca vinha; óbvio, não era um simples cachorro, era um general e não respeitava ordens de uma simples humana. Ele aparecia meia hora depois, acho que só para ver se tinha perdido algo interessante e checar se estava tudo bem.


Yuri me salvou de 3 assaltos; era um anjo cão protetor. Desde que entrou na minha vida, dormia no pé da minha cama, velando meu sono. Ai de alguém que se aproximasse do meu quarto... Existia uma barreira subliminar de frequência ali: “não ultrapasse. Cão-humano feroz”. Ou, quem sabe, até “anjo protegendo uma frágil humana adormecida”. Não sei oque se passava na cabeça dele, mas ele era assim. Eu não diria bravo, mas protetor dentro das regras dele.


Ah! E Yuri era chorão. Eu o chamava de macho dominante, mas chorava por tudo! Acho que igual aos machos humanos. Se ficava doente, queria exclusividade e atenção. Íamos à fisioterapia e ele queria conversar com a dra Camila. Se ela desviasse os olhos dele, ele latia e reclamava, demonstrando sua carência.


E a tia Stela então... Sua eterna professora de bons modos! Demorou bem alguns meses para se deixar embalar pelos encantos femininos. Yuri era difícil, então a tia Stela penou, com bifinhos e mais bifinhos até a conquista. Mas também, quando conquistado seu coração, Yuri se rendeu por completo.


Era um cão-humano sensível e fiel; valorizava o amor e as amizades. Isso não quer dizer que não deixava sua marca.


Yuri mordia de vez em quando; às vezes mordia feio. Mas se arrependia do impulso e vinha rapidamente pedir desculpas. Era um cão-humano humilde – mas bem de vez em quando!

Yuri partiu em junho de 2015.


Fiquei sem meu guardião, mas guardo no coração tudo o que aprendi com ele sobre amor e respeito a todos os seres vivos. Comecei a entender que precisava olhar para a vida de maneira diferente.


Eu o amava tanto que não mais poderia usar seus irmãos sencientes como alimento. Me tornei vegetariana e adotei uma nova filosofia de vida, mais leve e empática.


Yuri me ensinou muito sobre a vida.


O nome Yuri vem do hebraico, e significa “minha luz”. Antes de partir, ele recebeu as bênçãos do Lama Wangdu para um bom retorno para casa. Ele gentilmente decidiu ajuda-lo na passagem.

E Yuri mandou mais uma lição: em sonho, me pediu para adotar Danny (do hebraico, “dado por Deus”) e disse que retornaria como IThai (do hebraico, “junto com você”).


Então essa é minha homenagem a todos os seres sencientes que nos acompanham e tanto nos ensinam.


Quando meus pacientes me perguntam “por que você não come carne?” não preciso de grandes explicações; apenas conto sobre Yuri, meu cão-humano, e me entendem.

Yuri, a minha luz.


Danny, meu presente de Deus.



Citei alguns nomes no decorrer do meu texto... abaixo, explico quem são e me coloco à disposição para passar os contatos deles aos interessados!


Lama Wangdu - psicanalista que trouxe ao Brasil a técnica CBCT;

Stela Maris Martins - especialista em comportamento animal;

Camila Zampini - veterinária fisiatra especializada em acupuntura e oxoni

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